domingo, 3 de fevereiro de 2013

MURIÚ X BARRA DO CUNHAÚ.




O mar sempre exerceu um fascínio sobre mim. Desde os tempos de criança, quando meus pais veraneavam na praia de Barra do Cunhaú. Foi lá onde aprendi a nadar, dando minhas primeiras braçadas. O rio Cunhaú, naqueles longínquos anos sessenta, apresentava-se enorme para mim; quando a gente é pequeno, tudo se apresenta em tamanho gigante. Só tinha olhos para aquela praia. As outras não me interessavam; além de não conhecer, achava que deveriam ser feias, sem aquela beleza natural onde o rio Cunhaú aumentava ainda mais, formando a 'boca da barra'. Um espetáculo com que a mão criadora presenteou o Rio Grande do Norte. Depois de muito tempo, convidado por um amigo, fui conhecer Muriú, onde finquei raízes, ficando até hoje. Neste interstício de tempo, conheci centenas de praias, praias lindas, praias de alto luxo, principalmente no sudeste do país, onde as belezas naturais suplantam muitas vezes as nossas. Só tem um porém: não possui, a exemplo do ser humano, aquela 'quentura' aconchegante, acolhedora de nossas praias. O povo de lá se assemelha às próprias águas geladas, diferente do nosso, que nos recebe com afeto semelhante ao confortável calor de nossas águas.

A Barra do Cunhaú é como se fosse minha primeira namorada, marcou-me no mundo marítimo. Muriú é diferente. Muriú é o meu agora, é meu cotidiano. É a bola da vez, é um caso de amor que não termina mais. Ambas são lindas, mas Muriú leva vantagem: é aqui onde minhas filhas e netos adoram passar seus finais de semana. É aqui onde, já maduro, curto a vida com mais intensidade. É aqui, da minha casa, que vejo, todos os dias, o nascer do sol. O poente não, também não interessa, eu quero é vida! Os pescadores daqui são parecidos com os de lá, as conversas coincidem e agradam-me as histórias das grandes pescarias. Esta bigamia nunca vai terminar. Enquanto Muriú enche-me de prazer, Barra de Cunhaú enche-me saudades.
Tadeu Arruda Câmara

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